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RISCOS EM VIAGENS AÉREAS
06-10-1990
Desde que assumi a Direção do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT (Brasília - DF) tenho vivido em aviões. É sempre um prazer viajar, rever as cidades, acompanhar a sua transformação, encontrar amigos, ir aos espetáculos, à praia. Mas o tempo é sempre escasso. Cada vez as viagens são mais curtas, mas sempre cheias e cansativas.
O pior são os aeroportos. Cada vez mais longe dos centros das cidades. Passa-se mais tempo esperando os voos do que voando... São horas e horas nas salas de espera, devido aos constantes atrasos, ou nos próprios aviões, nas diversas escalas.
Com o preço elevado do combustível, as companhias aéreas cancelam voos, no intuito de concentrar os passageiros em roteiros de máxima circulação, garantindo aeronaves cheias e maiores lucros. É difícil, em consequência, planejar horários e itinerários rápidos e confortáveis.
Algumas vezes as opções são mínimas. Grandes cidades como Campinas e Londrina não têm voos a toda hora, complicando os planos de viagem.
Há um mês atrás, para chegar a Londrina no horário adequado e regressar rapidamente, tive que sujeitar-me a transladar-me do Aeroporto de Cumbica para o de Congonhas, de onde sai o Bandeirante da TAM. A viagem foi tranquila. Na volta, uma escala em Maringá. Mas chovia muito e ventava demais. O avião dava coices no ar. Perdia altura, empinava, tremia, fazia um barulho infernal em sua lataria. Foi um susto que durou mais de duas horas, nos engasgos e pinotes entre as nuvens, com calafrios na barriga. Um horror.
Acabei perdendo a conexão, entrando em intermináveis listas de espera para disputar um lugar nos voos para Brasília. Um enorme cansaço, uma tremenda chateação.
Risco de vida constante, sem ao menos o consolo de um bom seguro... Risco gratuito.
Outras vezes a viagem é curta e rápida, como a que esta semana Recife. Viagem tranquila, mas dedicada à dissertação que deveria analisar para a banca a que iria participar no dia seguinte. Hospedei-me no Parque Othon, com vista esplêndida para a Praia da Boa Viagem, agora iluminada à noite, com o brilho da lua cheia sobre as águas.
Uma visão fantástica. Mas tive que ficar a noite toda lendo e trabalhando, frustrado. Lembrando-me daquela sentença de Leon Eliazar : “Veja eu aqui dentro, e a vida lá fora.”
No fim da noite consegui dar uma rápida visita à feirinha de artesanato, para comer um bolo de macaxeira e beber uma fresca água de coco.
No dia seguinte, depois de assistir a defesa da dissertação, deveria dar uma palestra para os alunos de um curso de especialização. Fiquei deveras aliviado quando soube que haviam cancelado.
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Pátio de São Pedro - Recife - PE - FOLHA PE
Foi possível almoçar, sem pressa, no elegante Restaurante Marruá, um surubim na grelha (!) e dar uma chegada até ao legendário Pátio de São Pedro (que está em restauração e pintura), para comprar artesanato, antes de voltar para o aeroporto.
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